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IBGE: Faltam 3.800 estatutários, diz sindicato

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DEU NA MÍDIA (Folha Dirigida - 14/5/2013) - Ainda que o IBGE comemore o concurso para 440 vagas de servidores efetivos, o Sindicato Nacional da fundação (Assibge) lamenta o baixo número de oportunidades, assegurando que são necessários 3.800 estatutários. De acordo com Susana Lage Drumond, da Executiva Nacional do sindicato, cerca de 4 mil servidores devem se aposentar até 2015.  “As 440 vagas são necessárias, mas totalmente insuficientes. Atualmente, o IBGE possui uma demanda muito maior de pesquisas e, por outro lado, vive uma crescente falta de pessoal, por conta das aposentadorias”, alega a sindicalista. Veja abaixo a entrevista:

FOLHA DIRIGIDA - Como está o quadro de efetivos do IBGE hoje?
Susana Lage Drumond -
A situação é preocupante, e há carência em todos os estados. Nós tínhamos 14 mil funcionários e hoje apenas 6 mil ativos, com 40% deles em idade para se aposentar até 2015. Além disso, o IBGE tem 3.800 vagas, que não podem ser ocupadas por temporários.

Então, na opinião da Assibge, as 440 vagas não são suficientes para atender à demanda?
As 440 vagas são necessárias, mas totalmente insuficientes. Atualmente, o IBGE possui uma demanda muito maior de pesquisas e, por outro lado, vive uma crescente falta de pessoal, por conta das aposentadorias.

Que demandas são essas? O que o IBGE tem pela frente?
 O IBGE aumentou muito a demanda de trabalho com as novas pesquisas criadas, como a pesquisa mensal de serviços (PMS); a pesquisa domiciliar (a PNAD Continua), um novo modelo informatizado de cadastramento de endereços, que será feita em todo o Brasil e substituirá a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada em seis regiões metropolitanas. No ano que vem realizaremos a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), a Pesquisa de Economia Informal (ECINF); a Pesquisa de Assistência Médica Sanitária (AMS), que é um censo da saúde; e já estamos iniciando os preparativos para a contagem populacional, que será realizada em 2015, e o censo agropecuário, em 2016. Além disso há um planejamento de aumentar as pesquisas mensais econômicas e outras demandas da sociedade.

Essas pesquisas deveriam ser feitas por profissionais concursados?

Sim, há um aumento grande de pesquisas, porém sem termos uma estrutura de pessoal efetivo condizente, preparado, bem treinado, capacitado e com compromisso com a instituição. É preciso tempo para o preparo dessas pessoas e condições para atuarem à altura das demandas, com compromisso com a instituição e da instituição com elas.

Quantos efetivos seriam necessários hoje? Por que um número tão baixo de oportunidades para os estatutários? 
A mão de obra efetiva que já se aposentou está sendo substituida por 3.700 trabalhadores temporários, dezenas de estagiários e consultores. Com isso, configurou-se a precarização no IBGE, porque os sucessivos governos Collor, Itamar e FHC queriam diminuir o tamanho do Estado e não autorizaram as contratações. No governo Lula essa visão se alterou,  ocorreram concursos em número insuficiente (600 vagas para o nível médio em 2006 e cerca de 500 para o nível superior em 1997, 2001, 2002 e 2010. Além disso, devemos destacar que as direções do IBGE, compostas por servidores do quadro permanente desde o início do governo Lula, tem uma visão patrimonialista do órgão e determinaram intensificar o trabalho temporário, a despeito da lei e por suas próprias convicções.

A instituição deixa de oferecer serviço de qualidade sem os concursados?

Sim. O IBGE possui 3 mil cargos vagos para nível intermediário e 800 para nível superior que deveriam ser imediatamente concursados, pois está havendo um esvaziamento no IBGE em virtude do crescente número de aposentadorias. Dos 14 mil servidores da década de 90, o IBGE possui apenas cerca de 6 mil, sendo que 40% deles já podem se aposentar e em torno de 4 mil poderão parar até 2015. Isso significa que o saber acumulado dos antigos não será passado aos novos e que a precarização afeta a qualidade de nosso trabalho.

Qual a postura do sindicato quanto a isso?
Achamos que é uma irresponsabilidade a precarização do IBGE, como a definição de sua direção e também do governo, visto que levamos ao conhecimento do secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça,  essa situação de caos. Mas, parece que não querem ouvir a nossa voz. O IBGE está correndo sérios riscos com a falta de pessoal e com o número irrisório de vagas diante da situação alarmante que o instituto está passando.

Quais os estados mais carentes de pessoal efetivo? Acredita que a distribuição das vagas irá beneficiar esses estados?
A carência atinge todos os estados, de forma proporcional, pois o quadro de servidores antigos é oriundo das décadas de 70 e 80, ou seja, entraram na mesma época e tendem a se aposentar no mesmo período. A área mais afetada é a de coleta de informações para pesquisas econômicas e sociais. Por isso as vagas para o ensino médio intermediário serão para alocação nas agências de coleta de pesquisas econômicas e sociais.

A senhora sabe quantas vagas devem ser destinadas ao Rio de Janeiro?

Não sei, mas para o nível superior a maioria deverá ficar no Rio de Janeiro, que é a área de análise e elaboração, com algumas poucas para os estados. Embora o IBGE esteja informatizando muitos procedimentos administrativos, há também muita carência nas áreas de pessoal, RH, contabilidade, compras, podendo serem beneficiados os graduados nessas funções e ainda os técnicos. Por mais que haja mais vagas para o Rio, serão totalmente insuficientes, em virtude do quadro totalmente envelhecido e prestes a se aposentar.

Fonte: Folha Dirigida (14/5/2013)

 

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