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IBGE precisa de R$ 3 bi para Censo 2020

Levantamento demográfico prevê a contratação de 300 mil trabalhadores; ontem começou coleta de dados no País para Censo Agropecuário –

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início nesta segunda-feira, 2, à coleta de dados do Censo Agropecuário em todo o País, mas já se prepara para o Censo Demográfico de 2020, que exige um orçamento de até R$ 3 bilhões e prevê a contratação de 300 mil trabalhadores temporários.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que trabalhará para garantir a verba para o levantamento. “Batalharemos e buscaremos recursos necessários. Sem nenhuma sombra de dúvida, o Brasil realizará o Censo Demográfico”, afirmou Oliveira, em entrevista na sede do IBGE, no Rio.

O projeto pode custar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, dependendo do que for possível economizar com tecnologia e com o aproveitamento da infraestrutura montada para o censo agropecuário, disse o presidente do instituto, Roberto Olinto. Para 2018, o IBGE já conta com R$ 7,5 milhões para os trabalhos iniciais. “O pesado de qualquer censo é a coleta, porque você contrata gente”, disse Olinto, lembrando que o Censo prevê a contratação de 300 mil funcionários temporários. “Esse é o grande impacto.”

O objetivo é coletar as informações em 2020 e começar a divulgação dos dados no mesmo ano. “O grupo técnico deste ano já está discutindo (o censo demográfico). Ano que vem começa a acelerar, tomar decisões, em 2019 tem de fechar tudo. Em 2020 vai para a coleta”, informou Olinto.

Trabalho. Atrasado por causa do corte de verbas, o Censo Agropecuário deveria ter sido iniciado em 2015. O levantamento vai a campo agora com quase 19 mil recenseadores que visitarão mais de 5,3 milhões de estabelecimentos agropecuários no próximos cinco meses.

Ao todo, 26.010 funcionários temporários atuarão no censo. Serão colhidas informações sobre a área cultivada, produção, pessoal ocupado no setor, irrigação, uso de agrotóxicos e agricultura familiar, entre outros temas. Os resultados devem começar a ser divulgados pelo IBGE em meados de 2018.

“O agronegócio influencia de maneira definitiva e muito profunda a economia”, disse. “É surpreendente que durante tantos anos tenha sido adiado o censo. É o setor mais dinâmico, mais competitivo, que gera mais divisas, mais informação e tecnologia”, acrescentou Oliveira.

O ministro lembrou que, após dificuldades orçamentárias, o IBGE precisou reformular o Censo Agropecuário para que tivesse metade do tamanho previsto, com orçamento de R$ 1,6 bilhão em três anos.

“Não tinha orçamento, não tinha mais projeto. Foi alocado para o IBGE, através de emenda parlamentar, uma verba R$ 505 milhões para refazer o projeto. Mas tivemos de renegociar para receber mais R$ 280 milhões no ano que vem. Esse orçamento está garantido, porque a gente não iria a campo”, contou Antonio Carlos Florido, coordenador técnico do Censo Agropecuário no IBGE.

No novo projeto para o Censo Agropecuário, o tempo de coleta com os informantes foi reduzido, o questionário foi enxugado, mas a duração da etapa de coleta no campo foi expandida.

O IBGE tenta resgatar a formação de um fundo, previsto em lei, para depósito de recursos anuais que impeçam que os levantamentos censitários sejam adiados por falta de verbas, como ocorreu com o Censo Agropecuário 2017 – o último foi conduzido em 2006. Já o último Censo Demográfico foi feito em 2010.

 

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017

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