Mesmo com o CPNU, o órgão chegará aos seus 90 anos com o maior percentual de trabalhadores temporários

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) publicaram, nesta terça-feira (12), a Portaria Conjunta nº 58/2025, que autoriza a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a contratar, por tempo determinado, até 9.580 trabalhadores temporários. Do total de vagas, 8.480 serão para a função de Agente de Pesquisas e Mapeamento (APM), responsável pela coleta de informações, e 1.100 para Supervisor de Coleta e Qualidade (SCQ), que atua no acompanhamento e supervisão do trabalho de campo.
As últimas contratações de temporários, realizadas em 2023, contavam com 6.742 vagas para APMs e 806 para SCQs, totalizando 7.548 vagas. Com o aumento para 9.580 vagas temporárias, a Direção do IBGE ampliará, em menos de dois anos de gestão, 27% o número de trabalhadores temporários na instituição. Com essa medida, a administração Márcio Pochmann sinaliza que avançar com a precarização no IBGE é parte do planejamento da atual Direção.
Imediatamente após a publicação da portaria, que aumentará em 27% o número de trabalhadores precarizados no IBGE, o presidente do órgão, Márcio Pochmann, postou no X (antigo Twitter), em tom festivo:
“Mais uma conquista para a maior e mais importante instituição pública de pesquisa do Brasil.
A ampliação da força de trabalho no IBGE vem sendo obtida nos dois últimos anos, responsável pela necessária recuperação e modernização que fortalecem ainda mais a instituição.
Após ter realizado o seu maior concurso público para servidores permanentes de toda a sua história de quase 90 anos, com o ingresso de 895 novos colegas a partir de 2025, o governo do presidente Lula, por meio dos Ministérios do Planejamento e Orçamento e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, autorizou a realização do novo concurso público para 9.850 vagas de servidores temporários do IBGE.”
Em diversas oportunidades, o sindicato questionou a Direção do IBGE se existe um planejamento para a redução no número de trabalhadores temporários e para a recomposição do quadro de servidores efetivos. A Direção do IBGE, após muitas esquivas, comunicou que, enquanto houver candidatos do CPNU para serem convocados, não será possível realizar novos concursos. Por este motivo, dificilmente haveria outro concurso para o IBGE neste mandato do governo Lula.
A atual Direção do IBGE mostra pouco interesse em ampliar direitos para os trabalhadores temporários, como no caso do aumento do intervalo para avaliações de desempenho desses trabalhadores para a cada seis (6) meses, como ocorre com os funcionários efetivos.
A precarização do trabalho também avança em áreas de planejamento e análise, por meio da contratação de consultores nos moldes do que foi realizado no Censo Demográfico. Intitulado “Processo de seleção de consultores para atuarem no Projeto Modernização da Produção Estatística e Geocientífica”, o programa permitirá a contratação de 26 consultores de nível superior, por meio de convênio com a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). A seleção dos candidatos ocorrerá por meio de envio de currículo e entrevista, formato que aumenta a possibilidade de interferência na escolha.
Somando a entrada de mais temporários, as aposentadorias e as saídas de servidores do IBGE por outros motivos, a gestão que anunciou reduzir a precarização no IBGE chegará a 2026 com mais trabalhadores temporários do que no início do mandato.


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