
No dia 17 de novembro, foi publicado um comunicado na rede interna do IBGE, “Presidência do IBGE anuncia novos titulares em gerências das áreas de Atendimento e Comunicação Social”, em que a presidência da instituição publiciza a mudança de gerentes, sendo que a maioria deles não possuía conhecimento prévio dessa substituição, não sendo avisados por seus superiores diretos. A ASSIBGE-SN vem a público dizer que se trata de mais um capítulo de caça às bruxas dentro da instituição, tendo em vista que os servidores retirados do cargo desagradaram a gestão por terem se posicionado sistematicamente na defesa do IBGE e de sua memória, bem como na defesa da política de comunicação do instituto, orientada pelos princípios fundamentais das estatísticas oficiais, que têm como motivação principal a independência da comunicação de institutos dessa natureza em relação a governos.
A ASSIBGE-SN repudia a forma como o Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) e a Coordenação de Comunicação Social (CCS) vêm sendo conduzidos desde a posse do presidente Marcio Pochmann. Durante esses três anos, os servidores de carreira da casa foram completamente afastados das coordenações que cuidam da comunicação social do IBGE, sendo substituídos por pessoas de fora, indicadas pelo presidente, para implementar seu projeto de divulgação personalista. Nem assim a área contou com estabilidade, pois a CCS, responsável por divulgar, de acordo com um calendário público, toda a produção de informações estatísticas e geográficas do IBGE, já está em sua quarta coordenação desde o início da gestão Pochmann.
Os desmandos protagonizados pela chefia dessas áreas, CDDI e CCS, especialmente pelo Sr. José Daniel, coordenador-geral do CDDI, que resolveu “anexar” também a CCS, contrariando a estrutura organizacional vigente na casa, têm gerado denúncias de assédio moral e institucional e queixas constantes dos trabalhadores. O gestor já chegou a se gabar de ter sido alvo de oito denúncias de assédio sem que nenhuma prosperasse, claramente desestimulando qualquer nova iniciativa de denúncia.
A sistemática troca de gestores experientes por recém-concursados, ainda em processo de integração com os fluxos de trabalho e não investidos da estabilidade, que depende da aprovação no estágio probatório, é mais um sintoma do assédio institucional dessa gestão. Convém pontuar que a maior parte dos novos servidores não tem seu posto de trabalho nas mesmas instalações dos demais servidores; ou seja, não dão expediente na CCS, localizada na sede do IBGE, nem na Gerência de Conteúdo e Promoção (GECOP), localizada na unidade da Canabarro. O coordenador-geral isolou os novos servidores com o objetivo explícito de impedir que a visão dos servidores experientes fosse compartilhada com eles, bem como evitar críticas à sua forma de condução dos trabalhos. Os profissionais da CCS não foram chamados para organizar o treinamento dos novos servidores, tampouco tiveram seus materiais aproveitados. Nota-se novamente claro intento de assédio institucional, ao tentar redesenhar à força métodos de trabalho lapidados ao longo de décadas.
Esse isolamento foi reforçado pela prática de alocar servidores novos diretamente nas coordenações, e não nas gerências, de modo que o programa de trabalho corrente permaneceu sem reforço. Parte dos novos servidores da Coordenação de Marketing (COMAR) e da Coordenação Editorial e Gráfica (COPEG) foi instalada na unidade de Lucas, afastada física e gerencialmente das áreas finalísticas para as quais foram concursados.
Além da exoneração da gerente e de sua substituta no caso da Gerência de Conteúdo e Promoção (GECOP/COMAR, vinculada ao CDDI), está ocorrendo a transferência da gerência responsável por administrar as mídias sociais do IBGE, entre outras atribuições, para a CCS, vinculada formalmente à Presidência, tudo sem discussão interna.
No caso da Gerência de Biblioteca, Informação e Memória (GEBIM/COATI), a exoneração está diretamente relacionada ao projeto de mudança da Biblioteca do IBGE, que vem sendo conduzido sem participação dos servidores da área e sem estudos técnicos de viabilidade que sustentem o planejamento proposto. A Coordenação-Geral do CDDI tem conduzido o processo de mudança da Biblioteca e de seu acervo sem envolver a equipe técnica responsável, num procedimento atabalhoado e com notórias inconsistências.
Inicialmente, planejou-se a transferência da Gerência, atualmente localizada na unidade da General Canabarro, na Tijuca, para o prédio do Ministério da Fazenda, no Centro do Rio. No entanto, após a elaboração de relatório técnico apontando a impossibilidade estrutural de o prédio suportar o peso do acervo, lastreado inclusive por laudo anterior de engenharia, passou-se a considerar a divisão do acervo: uma pequena parte seria destinada ao Ministério da Fazenda, e a maior parte seria enviada, encaixotada, para a unidade de Parada de Lucas. Cabe ressaltar que a unidade de Lucas não possui condições adequadas de infraestrutura, em razão de seu sucateamento histórico, além do risco quanto à segurança das pessoas, o que gera apreensão entre trabalhadores e usuários da biblioteca.
O IBGE é guardião de um acervo raro e de alto valor para a demografia e as geociências do país. Esse patrimônio precisa estar acessível à sociedade e integrado a um projeto de digitalização em um espaço capaz de suportar seu peso e atender aos requisitos de conservação, como controle de temperatura, umidade e acesso, considerando sua raridade. Há diversos prédios disponíveis no Centro do Rio de Janeiro, como o Palácio Capanema, mas não consta no projeto de mudança nenhum relatório de avaliação desses imóveis ou estudo técnico de viabilidade. Tampouco há avaliação de riscos que subsidie a decisão.
A cobrança, por parte da gerente da área, pela apresentação de estudos e avaliações que demonstrassem que a transferência do acervo para Parada de Lucas e para o Palácio da Fazenda estava baseada em evidências resultou em sua exoneração. A gestora, experiente e de carreira, foi substituída por outra servidora com poucos meses na instituição e, novamente, sujeita ao estágio probatório.
Esse conjunto de exonerações, portanto, não é pontual: deve ser entendido no contexto de assédio institucional intenso. Muitas outras exonerações já foram efetuadas, seja por interesse da administração, seja por “vontade própria” dos servidores, diante do desgaste com a gestão e da dificuldade de defender o programa de trabalho e os protocolos institucionais relevantes. Essa gestão ignora o saber acumulado das áreas técnicas, rotulando servidores como ultrapassados, reativos, incompetentes e preguiçosos.
A ASSIBGE-SN se solidariza com as equipes diretamente afetadas, não tolerará uma caça às bruxas dentro dessas áreas e fará tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar e defender o IBGE e seus trabalhadores da perseguição imposta pela gestão.
Segue em anexo os manifestos das áreas afetadas pelas arbitrariedades.
Filie-se e fortaleça o seu sindicato!
Saudações sindicais,
Executiva Nacional da ASSIBGE


Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.