








O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE-SN) vem a público manifestar seu repúdio à criação de falsas notícias sobre a credibilidade dos dados produzidos pelo IBGE. Em um cenário de constantes disputas narrativas, reiteramos que o rigor técnico do IBGE é assegurado por seu qualificado corpo funcional, formado por aproximadamente 10 mil trabalhadores, envolvidos na coleta, supervisão, coordenação, elaboração e divulgação das pesquisas. A ASSIBGE-SN reafirma que a excelência das estatísticas e geociências produzidas por um dos maiores institutos de pesquisa do mundo, prestes a chegar aos seus 90 anos, é um patrimônio da sociedade brasileira.
Desde que foram explicitadas divergências entre a atual Direção do IBGE e os servidores do órgão, grupos políticos têm se aproveitado para difundir falsas notícias e criar um ambiente de dúvidas sobre a credibilidade dos dados do Instituto, lançando especulações sobre possíveis interferências políticas nas estatísticas oficiais. As inúmeras manifestações realizadas pela entidade sindical dos servidores, contrárias às ações centralizadoras da atual Direção do órgão, revelam a importância da estabilidade dos servidores e da liberdade sindical. Em momento algum, o sindicato acolheu denúncias de interferências técnicas na metodologia das pesquisas ou em seus resultados. Denunciamos ações antissindicais, exonerações arbitrárias, usos políticos das publicações do órgão e divergências quanto às mudanças realizadas pela atual Direção — como no caso da criação da Fundação IBGE+ e da proposta de mudança no Estatuto do órgão. Essas mudanças, potencialmente, podem interferir na atuação do IBGE, mas seguem sendo combatidas pela luta dos trabalhadores.
É notável a repercussão que a imprensa tem dado às atuais crises que ocorrem no IBGE. Em situações críticas vivenciadas pelos trabalhadores em gestões passadas, tínhamos muita dificuldade em conseguir espaço na mídia para nossas pautas — situação radicalmente alterada desde que a nova gestão tomou posse. Louvamos o trabalho da imprensa quando realizado com ética e sem manipulações de interesse político. Desejamos que esse espaço continue sendo oferecido ao sindicato em outras conjunturas.
A luta coletiva não é novidade para os trabalhadores do IBGE e para seu sindicato. Lutamos contra o desmonte do Censo Demográfico, realizado no governo Bolsonaro; contra a tentativa de venda de pesquisas, realizada no governo Temer; e não nos calamos diante da precarização intensificada ao longo dos anos 2000. Assim como em outros governos, destacamos que não aceitaríamos qualquer maquiagem, represamento ou manipulação de indicadores para fins propagandísticos ou eleitorais. Portanto, ao contrário do que especulam de forma oportunista diante da crise existente, ressaltamos: os dados produzidos pelo IBGE não perderam sua confiabilidade.
É fundamental destacarmos que a permanência da credibilidade requer investimento. A autonomia técnica exige orçamento público, concursos e valorização real dos servidores. Lutamos contra o sucateamento do órgão, a precarização dos trabalhadores temporários e a defasagem salarial, pois o enfraquecimento da força de trabalho é a porta de entrada para a fragilização dos dados. Somos radicalmente contrários à Reforma Administrativa debatida na Câmara dos Deputados e ao teto de gastos defendido pela elite financeira. É urgente a realização de uma auditoria da dívida pública para estancar a sangria do orçamento público, que é drenado para o setor financeiro, sucateando os serviços públicos destinados à população.
Os dados do IBGE são bússolas para políticas públicas, estudos acadêmicos e investimentos privados. Essa confiança só existe porque as pesquisas do IBGE são sustentadas por metodologias internacionais e pela ética de servidores que não se curvam a conveniências conjunturais.
A ASSIBGE-SN mantém uma premissa inabalável: a autonomia frente a governos, direções do Instituto e partidos políticos. Nossa relação com os governos é de negociação e enfrentamento, quando necessário. Não somos correia de transmissão de projetos governamentais; nossa lealdade é com os direitos dos trabalhadores e com a missão institucional do IBGE. Ocupamos espaços de diálogo, mas mantemos o olhar crítico sobre a gestão. Direções passam, o Estado permanece. Denunciaremos qualquer ingerência política que ameace a integridade técnica do órgão.
O IBGE pertence ao povo brasileiro. Proteger sua credibilidade é proteger o direito da sociedade de conhecer a própria realidade, sem filtros e sem distorções.
Saudações Sindicais,
ASSIBGE-SN


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