
O sindicato esclarece que o abaixo-assinado que circula entre trabalhadoras e trabalhadores do IBGE, divulgado na mídia, não foi organizado pela ASSIBGE-SN, a iniciativa surgiu de forma espontânea entre servidores, como já aconteceu em outros momentos recentes e de amplo conhecimento público.
Assim como nas demais ocasiões, o novo abaixo-assinado reafirma pontos já levantados pela ASSIBGE-SN e expressa a insatisfação generalizada da categoria. Também reflete a crescente preocupação dos servidores com as consequências institucionais de uma gestão desastrosa que, embora tenha assumido o comando do IBGE em condições políticas excepcionalmente favoráveis, rapidamente perdeu as condições de conduzir um projeto de fortalecimento institucional à altura das necessidades do País.
O Brasil precisa de um IBGE reafirmado como órgão de Estado, detentor de atribuições exclusivas, tais como:
- a realização do Censo Demográfico,
- a produção das Contas Nacionais,
- a manutenção da Geodésia e das bases territoriais,
- a entrega de estatísticas públicas e informações geocientíficas confiáveis, essenciais para a formulação e o monitoramento de políticas públicas – inclusive fiscal e monetária — e para o exercício pleno da cidadania.
Em um contexto nacional e internacional marcado por guerra híbrida, desinformação e manipulação crescente de dados, é um direito inalienável da sociedade brasileira ter acesso a estatísticas produzidas com rigor técnico, isenção e credibilidade. Esse compromisso sempre pautou o trabalho das servidoras e dos servidores do IBGE.
Compromisso dos servidores e histórico de defesa institucional
Os trabalhadores do IBGE mantêm compromisso permanente com os princípios técnicos, éticos e legais que norteiam a instituição. Suas análises e posicionamentos refletem a defesa da qualidade, da objetividade e da função pública do Instituto.
A ASSIBGE-SN, por sua vez, possui histórico de atuação firme, pública e transparente. Um exemplo emblemático foi a denúncia da tentativa de criação da fundação “IBGE+” , que também compreendeu representação encaminhada ao Ministério Público Federal, como registrado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) (processo TC 022.275/2024‑0). Alertamos que, assim que os servidores tomaram conhecimento do registro em cartório da fundação, análises técnicas foram imediatamente encaminhadas à direção, que optou por ignorar a avaliação dos trabalhadores da Casa. Em 11 de fevereiro último, o TCU reafirmou o posicionamento técnico defendido pelos servidores e pelo Sindicato, determinando o encerramento do CNPJ da Fundação IBGE+. ASSIBGE-SN fez o debate público qualificado (https://www.youtube.com/live/Aa7Krfpnh68?si=0US6av0UzT3I6RES) e protegeu os servidores inadvertidamente envolvidos em um projeto ilegal que poderia comprometer suas rendas com devoluções ao erário público.
As decisões no âmbito da gestão também têm sido alvo de críticas legítimas. A política de substituir servidores experientes em gerências na área de comunicação social por recém‑ingressos, com poucos meses de casa, representa uma escolha administrativa contrária às boas práticas de gestão.
Várias têm sido as situações em que, em vez de promover diálogo qualificado, a direção converte críticas técnicas e questionamentos administrativos em arena de ataques político-midiáticos, gerando um ambiente de desrespeito e insegurança interna.
O Presidente do IBGE tem se recusado a receber a representação sindical, aceita apenas colaborações “dentro de seus próprios termos” e, de forma recorrente, despreza o saber acumulado pelos servidores, alimentando a atual sensação de desrespeito e abandono institucional.
Diante desse cenário, a ASSIBGE-SN reafirma seu compromisso com a defesa intransigente do IBGE como órgão de Estado, da valorização de seus servidores e da produção de estatísticas públicas com qualidade, autonomia e credibilidade. O Sindicato seguirá atuando de forma firme, transparente e responsável, promovendo o debate público qualificado, denunciando retrocessos e fortalecendo a mobilização coletiva em defesa da instituição e do interesse público.


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