
A Executiva Nacional da ASSIBGE-SN acompanha os desdobramentos da representação apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU) pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira, que solicita o afastamento cautelar do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann. O episódio ocorre em meio a um cenário de crescente tensão institucional, marcado por decisões administrativas da atual gestão que têm sido alvo de críticas por parte de servidores do instituto, especialistas e do sindicato.
Para a ASSIBGE-SN, o atual clima de instabilidade institucional decorre diretamente da forma como a presidência do IBGE tem conduzido decisões administrativas relevantes. Medidas adotadas pela gestão de Márcio Pochmann, especialmente aquelas que impactaram áreas técnicas estratégicas e a organização do trabalho interno, têm provocado questionamentos e ampliado um ambiente de desconfiança que poderia ter sido evitado com maior diálogo, transparência e respeito à estrutura técnica da instituição.
Desde o início de sua gestão, o presidente adotou um discurso público que frequentemente desconsiderou o acúmulo técnico e a experiência dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em diversas ocasiões, chegou a afirmar que enfrentava limitações para trazer pessoas externas para compor sua equipe, ao mesmo tempo em que minimizava, em falas públicas, o conhecimento e a especialização construídos ao longo de décadas pelo corpo técnico da instituição. Para a ASSIBGE-SN, esse tipo de postura contribuiu para um ambiente de desvalorização dos trabalhadores e de enfraquecimento do diálogo interno, agravado pela criação de mecanismos de participação definidos unilateralmente pela presidência, sem a transparência necessária e com pouca abertura para participações técnicas e democráticas efetivas.
A ASSIBGE-SN também relembra o episódio da proposta de criação da chamada Fundação IBGE+, apresentada pela gestão do presidente Márcio Pochmann. Desde o início, o sindicato alertou para os riscos institucionais e para a ausência de debate transparente e de escuta ativa sobre uma iniciativa que poderia alterar profundamente a forma de funcionamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo diante das críticas apresentadas por servidores, especialistas e pela própria entidade representativa dos trabalhadores, a presidência do Instituto optou por ignorar os alertas e avançar com a proposta, aprofundando o clima de preocupação e desconfiança dentro e fora da instituição. Mesmo encerrada a Fundação, ainda cabe apurar as responsabilidades por essa tentativa de implementar algo abertamente ilegal.
São graves também os fatos elencados pelo procurador em relação ao SINAPI. Pelo exposto, a presidência do IBGE optou deliberadamente por suspender as divulgações no processo de negociação da alteração da forma de participação da Caixa Econômica no projeto, ainda que tenha sido alertada da inconformidade com a legislação do modelo proposto pela presidência do IBGE.
Ao mesmo tempo, reafirmamos que a credibilidade e a qualidade das estatísticas oficiais produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) seguem asseguradas pelo trabalho técnico, qualificado e comprometido de seus servidores e servidoras que, pelo tempo de casa, possuem condições de realizar os embates técnicos, de gestão e políticos necessários na defesa de nossas atribuições seguindo princípios. Mesmo diante dos seguidos ataques da presidência do IBGE aos servidores e ao seu Sindicato, o corpo técnico mantém seu rigor metodológico, dedicação histórica e postura independente.
Diante do atual cenário, a ASSIBGE-SN ressalta que cabe à presidência do Instituto a responsabilidade de zelar pelo ambiente institucional, pela transparência administrativa e pelo respeito à estrutura técnica que sustenta o trabalho do IBGE.
Ao praticar ilegalidades e atacar os servidores, a presidência do IBGE criou um ambiente propício a questionamentos sobre a credibilidade do Instituto.
O sindicato seguirá vigilante na defesa da instituição, de seus trabalhadores e trabalhadoras e da autonomia técnica que historicamente garante a confiança da sociedade brasileira nas estatísticas oficiais.


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