
Representantes da ASSIBGE-SN cumprem agenda emergencial no Distrito Federal após suspensão do PGD e denúncias de práticas antissindicais por parte da direção do instituto.
Entre os dias 13 e 16 de julho, a Executiva Nacional da ASSIBGE-SN cumpriu uma intensa agenda de mobilização em Brasília para protocolar e debater as principais reivindicações dos trabalhadores do IBGE. A viagem, que seguiu o calendário de lutas aprovado na última reunião da Direção Nacional, foi motivada pela recente crise institucional deflagrada pela suspensão do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), além de um acúmulo de impasses que incluem o corte de indenizações de campo e denúncias de ações antissindicais por parte da atual gestão do órgão.
Representando o sindicato, os diretores Marlene Moreira e Helvécio Amorim dialogaram com representantes dos Ministérios e parlamentares na tentativa de reabrir canais de negociação.
Mediação no Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO)
A comitiva da ASSIBGE-SN foi recebida no Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) pelo Secretário Adjunto de Articulação Institucional, Sandro de Alencar, e por Arthur Ficher, responsável por secretariar a audiência.
Durante o encontro, que durou cerca de uma hora, a direção sindical detalhou o cenário de tensionamento interno no instituto. Foram formalizadas denúncias de práticas antissindicais, o impacto da suspensão do PGD — especialmente para os novos servidores concursados — e a recente cobrança de aluguel pelos espaços físicos historicamente utilizados pelo sindicato dentro das dependências do IBGE.
O Secretário Adjunto comprometeu-se a intervir na busca pelo restabelecimento do diálogo, sinalizando que levará as demandas diretamente ao ministro para tentar pacificar a relação institucional.
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI)
Após sucessivas cobranças, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) comprometeu-se a realizar uma reunião virtual para tratar da demanda emergencial dos servidores. Embora o formato padrão de interlocução entre a pasta e os sindicatos ocorra por meio das mesas de negociação — gerais e específicas —, o ministério abriu uma exceção diante da gravidade do cenário e deve inaugurar, em breve, um canal direto de diálogo para solucionar o impasse.
Articulação no Palácio do Planalto
Dando sequência às agendas na Esplanada, a Executiva Nacional reuniu-se com Carlos Balduino, Coordenador-Geral da Secretaria de Diálogos Sociais da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Na ocasião, o sindicato entregou formalmente a minuta de cessão dos espaços ocupados pela entidade no IBGE, buscando blindar a representação dos trabalhadores contra despejos ou cobranças descabidas. O impasse gerado pelas regras do Concurso Nacional Unificado (CNU) e as restrições ao PGD também foram debatidos.
Balduino informou que o próximo passo da Secretaria será levar o panorama da crise ao Ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), visando a abertura de uma mesa de conversas focada em resolver as pendências do IBGE. A Secretaria-Geral solicitou ainda o envio imediato de toda a documentação técnica que contesta o veto ao PGD para os novos concursados.
Apoio no Poder Legislativo
O sindicato também buscou apoio no Congresso Nacional, sendo recebido pela chefia de gabinete da senadora Teresa Leitão (PT-PE). Os diretores fizeram um histórico da atual conjuntura do IBGE, frisando a importância do órgão e o desgaste sofrido pelos servidores diante da falta de interlocução da atual presidência da autarquia.
A assessoria da senadora solicitou cópias dos ofícios já encaminhados aos ministérios para que o mandato possa acompanhar a tramitação e cobrar celeridade do Executivo. Embora tenha sido ressaltada a autonomia administrativa do IBGE, o gabinete se comprometeu a atuar politicamente em favor da categoria.
Entenda os pontos centrais da crise
De acordo com a deliberação da Direção Nacional da ASSIBGE-SN, a insatisfação do funcionalismo reflete um acúmulo de pautas negligenciadas que ganharam contornos críticos nas últimas semanas: suspensão do PGD para os novos concursados; corte nas indenizações de campo; paralisação do comitê gestor de carreira; ações antissindicais; corte no diálogo com o sindicato; entre outras pautas.
“A suspensão do PGD para os recém-chegados, sem qualquer diálogo ou base técnica, foi o estopim de uma crise que já vinha se desenhando devido à falta de escuta da casa”, apontou a direção do sindicato, reforçando que as agendas em Brasília foram um passo fundamental para romper o isolamento imposto pela gestão do instituto.


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