
No dia 10 de julho, durante a reunião da Direção Nacional da ASSIBGE-SN, a diretora da Executiva Nacional do Sindicato, Clician Oliveira, apresentou a exposição “A gestão atual está no caminho da modernização ou tudo não passa de uma ilusão?”. Em sua análise, propôs uma reflexão sobre as mudanças em curso no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e seus possíveis impactos para a natureza pública da instituição, a autonomia técnica e o exercício de suas funções de Estado.
Ao longo da exposição, Clician argumentou que as transformações atualmente em debate no IBGE vão além de medidas de aperfeiçoamento da gestão. Segundo ela, o que está em curso é uma reorganização estrutural do modelo institucional do Instituto, cuja principal questão é saber se esse processo fortalece ou fragmenta sua capacidade de exercer funções típicas de Estado.
A Economista destacou que o IBGE vai muito além da realização de pesquisas, exercendo funções soberanas relacionadas à produção das estatísticas oficiais, da geoinformação nacional, da base territorial do país e de informações essenciais ao planejamento estatal. Ressaltou que essas atividades possuem caráter permanente e exigem continuidade institucional, governança pública, autonomia técnica e proteção contra interferências que possam comprometer a credibilidade das informações produzidas pelo Instituto.
Durante a palestra, Clician também analisou as diretrizes estabelecidas pela Resolução do Conselho Diretor nº 16/2026 para a atuação de fundações de apoio. Em sua avaliação, a adoção de modelos de governança híbrida e de estruturas organizadas por projetos deve ser debatida com cautela, de forma a preservar a continuidade das atividades permanentes do Instituto, sua memória institucional e a autonomia necessária à produção das estatísticas oficiais e das informações geocientíficas.
Para Clician Oliveira, o debate sobre o futuro do IBGE ultrapassa questões organizacionais e envolve a preservação de uma instituição essencial para o funcionamento do Estado brasileiro. Em sua avaliação, qualquer proposta de reorganização deve fortalecer a autonomia técnica, a capacidade estatal e o compromisso do Instituto com a produção de informações públicas de interesse nacional.


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