
Vivemos hoje uma realidade grave dentro do IBGE. O atual presidente da instituição, Marcio Pochmann, rompeu qualquer canal de diálogo com a ASSIBGE – Sindicato Nacional, entidade legítima de representação dos trabalhadores e trabalhadoras do Instituto. Ao longo dos últimos meses, a direção sindical encaminhou diversos ofícios solicitando reuniões para tratar de questões de interesse da categoria e do próprio IBGE; ainda assim, sequer houve resposta formal às solicitações apresentadas. Não se trata de um detalhe administrativo, mas de uma escolha política: quando se fecha a porta ao diálogo com a representação dos trabalhadores, ataca-se, na prática, a própria possibilidade de gestão democrática.
Foi nesse contexto que se deu o episódio ocorrido durante as comemorações dos 90 anos do IBGE, realizadas no Palácio do Catete. Na ocasião, um diretor da Executiva Nacional da ASSIBGE aproximou-se do presidente para, mais uma vez, tentar estabelecer um canal de interlocução institucional. A tentativa, porém, foi frustrada. O dirigente sindical e outros companheiros presentes no local relataram que o presidente reagiu de forma irritada e chegou a afirmar que os representantes sindicais seriam bolsonaristas. A acusação é injusta, ofensiva e incompatível com a trajetória de uma entidade que sempre atuou com independência, pautada pela defesa dos trabalhadores, da democracia, do serviço público e do fortalecimento do próprio IBGE. Entidade que, inclusive, atuou fortemente contra as medidas autoritárias do governo ao qual esse adjetivo se refere.
É nesse terreno que se insere o lamentável episódio dos 90 anos do IBGE. Não se tratou apenas de uma fala infeliz, de um destempero momentâneo ou de um gesto isolado: tratou-se de uma ofensiva política contra a história de luta que sustenta esta casa e contra o coletivo de trabalhadoras e trabalhadores que a construiu. A repetição dessa postura aprofunda o distanciamento entre a administração do Instituto e seus servidores e revela muito mais do que um destempero individual: revela uma prática de esvaziamento do diálogo, de deslegitimação da organização coletiva e de confronto com quem ousa discordar. Em uma instituição da grandeza e da relevância do IBGE, reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência de seu trabalho, divergências são naturais e fazem parte da vida democrática. O que não é admissível é transformar a divergência em hostilidade e o dissenso em pretexto para o silenciamento.
É grave que esse ataque venha travestido de modernização, ainda mais quando parte de quem recorre ao vocabulário crítico e progressista enquanto, na prática, tenta deslegitimar a organização coletiva e esvaziar a capacidade de resistência de quem ousa discordar. Quando propostas e medidas passam a ser acompanhadas da tentativa de desqualificar o sindicato e de rebaixar a voz dos trabalhadores, já não estamos diante de divergências administrativas: estamos diante de uma política de confronto contra quem mantém viva a memória, a dignidade e a função pública do IBGE.
Manifestamos, portanto, nosso repúdio a uma gestão que se recusa a construir espaços de interlocução com a entidade representativa dos trabalhadores. O fortalecimento do IBGE passa necessariamente pelo respeito às suas servidoras e aos seus servidores, bem como às suas organizações representativas. Sem diálogo não há gestão democrática; sem respeito aos trabalhadores não há fortalecimento institucional. E, quando o ataque ao sindicato se converte em método, o que está em jogo já não é apenas a relação entre direção e categoria, mas a própria possibilidade de uma instituição pública ser construída com participação, escuta e legitimidade democrática.
Esse discurso de paralisia e atraso da casa, sintetizado na frase “Quem fica parado é poste”, não se sustenta diante de um coletivo de servidores efetivos e temporários que, dia após dia, sustenta, reinventa e moderniza o trabalho da casa, muitas vezes apesar do sucateamento, da falta de reconhecimento e das condições impostas. A comprovação disso está, sobretudo, na própria história recente do Instituto: basta olhar para os últimos anos, inclusive o período da pandemia, para ver ferramentas, métodos e soluções sendo construídos, não raro, do zero, como fruto da inteligência, do compromisso e da capacidade de inovação de quem mantém esta instituição viva, pulsando e em movimento. Chamar essa casa de atrasada não é apenas uma injustiça: é uma operação de apagamento contra o trabalho concreto de quem a faz existir todos os dias e contra a própria função pública que ela cumpre para o país.
Esse apagamento se expressa também nos embates recentes entre a presidência do IBGE e os trabalhadores, marcados por práticas antissindicais como o enfraquecimento dos espaços de diálogo, a tentativa de deslegitimar a organização coletiva e a adoção de medidas que tensionam o direito de representação dos trabalhadores. Quando a direção escolhe o confronto com o sindicato em vez da escuta, não está apenas atacando uma entidade: está atacando a democracia interna, o direito à organização, a legitimidade do dissenso e a própria ideia de que uma instituição pública deve ser construída com participação, respeito e conflito democrático — e não com silenciamento, intimidação e autoritarismo. É precisamente por isso que não cabe neutralidade: defender o IBGE é defender seus trabalhadores, sua história, sua função pública e o direito de lutar coletivamente contra toda tentativa de desmonte, domesticação e medo.
Por fim: com tiranos, não combinam brasileiros corações. E com trabalhadores organizados, não há projeto autoritário que se imponha sem resistência.
Saudações sindicais,
Executiva Nacional da ASSIBGE


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