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IBGE: por trás da narrativa oficial, uma crise mais profunda

29 de maio de 2026 • Imprensa

Pochmann tenta associar a crise a interesses corporativos, mas os fatos mostram outra realidade

A direção do IBGE tenta reescrever os fatos ao afirmar que a ruptura com a ASSIBGE-SN ocorreu apenas em função das portarias sobre trabalho remoto ou da reorganização de prédios administrativos. A realidade é muito mais profunda e vem sendo denunciada pelos trabalhadores e trabalhadoras desde o início da atual gestão.

A crise institucional no IBGE não nasceu de divergências pontuais sobre escala presencial. Ela resulta de um processo contínuo de desmonte das relações de trabalho, precarização, autoritarismo administrativo e esvaziamento dos espaços democráticos de debate dentro do Instituto.

A tentativa da atual gestão de atribuir a crise institucional do IBGE a supostos interesses corporativos do sindicato também não se sustenta nos fatos. Das mais de 500 matérias publicadas pela ASSIBGE-SN desde 2023, apenas cinco trataram diretamente do tema do trabalho remoto. Parte dessas publicações, inclusive, tinha como objetivo comunicar à categoria que o sindicato não era contrário ao PGD, mas defendia debate democrático, regras transparentes e garantia de direitos para os trabalhadores.

A ASSIBGE-SN denunciou reiteradamente a ampliação da contratação precária e temporária para funções permanentes e a tentativa de criação do IBGE+, uma estrutura de direito privado rejeitada por grande parte dos trabalhadores por representar um ataque ao caráter público do Instituto, abrindo espaço para privatização, terceirização, influência privada sobre áreas estratégicas e precarização ainda maior das relações de trabalho.

O sindicato denunciou também a falta de transparência nas decisões estratégicas, o enfraquecimento das unidades estaduais e agências, a ausência de debate real com os trabalhadores sobre os rumos do Instituto e a tentativa de criação de um estatuto que centralizaria as decisões na presidência e reduziria o papel do Conselho Diretor.

Atualmente, o Comitê Gestor de Carreira está sem mandato e por isso decisões, que afetam a vida da categoria, são tomadas sem apreciação dessa instância. Além disso, a ausência do comitê dificultará o debate sobre carreira

Enquanto a presidência fala em “pluralidade” e “participação”, servidores convivem com retirada de direitos, insegurança institucional, pressão por metas, mudanças impostas de cima para baixo e crescente desvalorização do corpo técnico responsável pela credibilidade histórica do IBGE.

Também não corresponde à realidade a tentativa de apresentar os chamados “Diálogos IBGE 90 anos” como espaços efetivos de construção democrática. O que os trabalhadores têm denunciado é justamente a falta de escuta concreta das críticas apresentadas pelas entidades representativas e pelas bases da categoria. Debate sem incorporação das reivindicações não pode ser tratado como participação real.

A atual gestão tenta enquadrar qualquer oposição como resistência à “modernização”. Esse discurso é perigoso. Os trabalhadores do IBGE nunca foram contrários à modernização tecnológica, à inovação ou ao aperfeiçoamento institucional. O problema é utilizar a ideia de modernização como justificativa para ampliar precarização, flexibilizar relações de trabalho e concentrar decisões estratégicas sem controle democrático.

A verdadeira modernização do IBGE passa pela valorização dos servidores efetivos, realização de concursos públicos permanentes, ampliação dos direitos dos trabalhadores temporários, fortalecimento das agências, ampliação da autonomia técnica, democratização interna e garantia de condições adequadas de trabalho. Não existe reconstrução institucional baseada em precarização.

O IBGE chegou aos seus 90 anos graças ao compromisso histórico de seus trabalhadores e trabalhadoras, que atravessaram diferentes governos mantendo a qualidade da produção estatística e geocientífica do país. Governos passam. Gestões passam. Quem sustenta o Instituto diariamente são os servidores.

A ASSIBGE-SN seguirá denunciando qualquer projeto que ameace a natureza pública do IBGE e continuará defendendo um Instituto forte, público, democrático, com valorização dos trabalhadores e compromisso com a sociedade brasileira.

Matéria publicada na Agência de Notícias do IBGE: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/46928-ibge-esclarece-materia-da-folha-de-s-paulo-sobre-os-90-anos

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