
O último Encontro Internúcleos da ASSIBGE-SN ocorreu na terça-feira (11), em formato virtual, com início às 19h, reunindo cerca de 54 representações de Núcleos Sindicais de diferentes regiões do país, além da Executiva Nacional, para avaliar o cenário da mobilização e definir os próximos passos da construção da greve no IBGE.
O encontro teve como eixo central a intensificação das ações nos estados e a busca pela ampliação do movimento. Embora ainda exista a necessidade de aumentar o número de núcleos em greve, a avaliação foi de que a mobilização segue em construção e que os próximos dias serão decisivos para fortalecer a paralisação nacional.
Entre os destaques da reunião esteve a mobilização na Bahia, que mantém a greve em um patamar expressivo e demonstra a capacidade de organização da categoria. No Rio Grande do Sul, os trabalhadores estão realizando visitas às agências do estado para ampliar a mobilização no interior. A estratégia, dividindo o estado por regiões e organizando visitas às unidades, pode fortalecer o movimento nas próximas assembleias. No dia seguinte à reunião de núcleos da ASSIBGE-SN, os trabalhadores do Núcleo Sede aprovaram a entrada na greve a partir de 17/08.
No Mato Grosso, os trabalhadores já aprovaram o indicativo de greve e têm assembleia marcada para deliberar sobre a deflagração do movimento. Em Minas Gerais, foi aprovada uma paralisação de cinco dias, com nova assembleia prevista para avaliar a continuidade da mobilização. Em Sergipe, também houve manifestação em defesa da construção da greve.
Apesar de diferenças de entendimento do movimento manifestadas, a tônica predominante na Internúcleos foi a necessidade de mobilizar a categoria e fortalecer a luta nos estados.
Próximos dias serão decisivos
Como encaminhamento, os Núcleos Sindicais e a Executiva Nacional devem intensificar a mobilização nesta quinta (13), sexta (14) e nos próximos dias, buscando criar as condições para uma ampliação da greve a partir da segunda (17) ou terça-feira (18). A orientação é fortalecer as assembleias, ampliar o diálogo com os trabalhadores nas unidades e buscar a adesão de novos estados ao movimento.
A mobilização desta quarta (12), na Canabarro, também foi apontada como importante para demonstrar a força da categoria. Para o dia 20, está prevista ainda uma atividade no Horto, no Rio de Janeiro, com o objetivo de buscar espaço para a instalação do Núcleo Sindical.
No Pará, foi aprovado o indicativo de greve ontem (12), no Núcleo Sede, a greve foi deflagrada nesta quarta-feira (12), em assembleia que reuniu cerca de 60 participantes. Veja o panorama atual de assembleias, atos e mobilizações.

A greve é resultado de um acúmulo de problemas
A pauta que levou a categoria à construção da greve não surgiu agora. A ASSIBGE-SN vem denunciando há meses a falta de diálogo da Direção do IBGE e o acúmulo de medidas que atingem direitos, condições de trabalho e a própria estrutura do Instituto. A suspensão do ingresso de novos servidores no Programa de Gestão e Desempenho (PGD), os retrocessos nas progressões, as restrições à Indenização de Campo, a precarização dos contratos temporários e as práticas antissindicais estão entre os principais pontos de reivindicação.
No caso do PGD, a gestão decidiu suspender por 60 dias o ingresso de servidores que completaram o período presencial obrigatório, sem apresentar à categoria uma discussão prévia sobre a mudança. A ASSIBGE-SN cobrou explicações sobre os fundamentos técnicos, administrativos e legais da medida e defendeu a retomada do diálogo.
Também é antiga a reivindicação por concursos públicos e pelo fortalecimento do quadro efetivo. Ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de recompor o quadro, a gestão mantém uma forte dependência de trabalhadores temporários para atividades permanentes. A ASSIBGE-SN denuncia que a expansão desse modelo, sem a correspondente ampliação de direitos, aprofunda a precarização e fragiliza o IBGE.
A situação dos temporários também expõe uma contradição: enquanto a gestão atuou para ampliar a duração dos contratos, não atuou para avançar na ampliação dos direitos desses trabalhadores. A ASSIBGE tem defendido a extensão de direitos como auxílio-saúde, licença por motivo de doença em pessoa da família, exame médico periódico e Indenização de Campo aos trabalhadores temporários.
Outro ponto central é a Indenização de Campo, direito cuja regulamentação vem sendo restringida pela gestão. A Resolução CD/IBGE nº 14/2026 limitou o pagamento às atividades realizadas em ambientes externos, excluindo situações que fazem parte da rotina de coleta de diversas pesquisas. A ASSIBGE-SN já ajuizou ação coletiva contra as restrições.
Para o sindicato, as medidas têm algo em comum: são decisões que afetam diretamente o trabalho realizado no IBGE, mas que vêm sendo tomadas sem a participação efetiva dos trabalhadores e de sua representação sindical.
Mobilização para conquistar negociação
A construção da greve é, portanto, uma resposta ao conjunto de ataques e à ausência de negociação. A Direção Nacional da ASSIBGE-SN já havia aprovado o indicativo de greve nacional condicionado à decisão das assembleias nos estados, diante da avaliação de que o processo de negociação com a administração estava esgotado.
Agora, o desafio colocado para os Núcleos é ampliar a mobilização e transformar a insatisfação existente em organização e luta. Os próximos dias serão de intensificação das assembleias, visitas às unidades e atividades nos estados.
A categoria segue mobilizada para defender o PGD, a Indenização de Campo, melhores condições de trabalho, concursos públicos, direitos para os temporários e, acima de tudo, o direito de ser ouvida nas decisões que definem os rumos do IBGE.
Mapa da greve na Bahia:



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