
O IBGE recentemente completou 90 anos. Anunciada como uma festa pomposa, com jantares e bailes de gala, a comemoração acabou reduzida a uma tediosa cerimônia para autoridades, transmitida via internet, para a qual os funcionários do instituto não estavam convidados, e a um coquetel nos jardins do Palácio do Catete que pareceu, para quem esteve presente, uma espécie de Baile da Ilha Fiscal da administração Marcio Pochmann.
Instados a comparecer fantasiados dos anos 20, salvo uma ou outra exceção, os funcionários ignoraram tal estratégia de marketing de adesão da mesma forma que as pessoas ignoraram, em 1992, quando Fernando Collor solicitou que saíssem às ruas de verde e amarelo. Com expressivas ausências do primeiro escalão do governo, os 90 anos do IBGE tiveram uma triste e melancólica celebração. A festa parecia um enterro.
É preciso recapitular primeiro toda a comédia de erros da festividade: até um mês antes, ninguém sabia ao certo o que seria feito, até que o coordenador do CDDI, José Daniel, de longe o mais impopular membro da atual gestão (superando até mesmo o presidente Pochmann), ordenou que os SDIs preparassem solenidades, audiências e inscrevessem funcionários para uma sessão solene em Brasília que acabou cancelada. Só alguém muito inocente acharia que, numa sexta-feira à tarde, haveria grande comparecimento de autoridades a uma sessão na Câmara, que, todo mundo sabe, fica às moscas quando se aproximam os fins de semana.
É importante dizer que a administração do IBGE tem uma grande vocação para jogar o “jogo do contente”. Quem lê as notícias da intranet pensa que a administração Pochmann navega em mar de almirante ou voa em céu de brigadeiro: tudo é apregoado como grande sucesso, e o mote “Meu Brasil, Nosso IBGE” realmente é uma das máximas mais mentirosas da história da instituição. Falso democrata, Pochmann abusou das exonerações por vingança, das atitudes antissindicais e é um dos presidentes mais detestados que o IBGE já teve. Basta andar pelos corredores e conversar por cinco ou dez minutos com quem vive o dia a dia da instituição.
Quem diria que tratar funcionários como peões em um tabuleiro, jogando-os de um lado para o outro, causaria raiva? Qual o problema de deslocar todo o efetivo da Chile para o Horto apenas para ocupar um prédio que é um elefante branco no meio do nada? Por que será que há tantos insatisfeitos na CCS e no CDDI, uma vez que seus planos de trabalho foram bagunçados por mudanças completamente desnecessárias? Segundo José Daniel, aqueles que estão reclamando por serem deslocados do CDDI para Parada de Lucas, uma diferença de 42 km, são apenas “amargurados”. Afinal, Parada de Lucas é tão perigosa quanto o Leblon, onde ele mora.
Se todos os problemas da administração estivessem no Rio de Janeiro, já seria ruim o bastante, mas por todo o Brasil se acumulam relatos de agências fechadas por corte de energia, unidades estaduais sob ameaça de interrupção de serviços básicos e funcionários efetivos e temporários trabalhando em condições precárias, enquanto o presidente e seu braço direito gastam uma fortuna com viagens e visitas que só são anunciadas em cima da hora para evitar a desagradável surpresa de uma mobilização sindical.
Isso porque o sindicato, decidiu Marcio Pochmann, é o seu “inimigo número um”. Imitando o bolsonarismo, Pochmann inventou que o sindicato é bolsonarista, como se a categoria tivesse memória curta e não soubesse da resistência que o sindicato representou nos tristes anos de Bolsonaro comandando o país. Como se Suzana Guerra não tivesse sido surpreendida por uma sonora vaia puxada pelo sindicato em uma cerimônia do IBGE, depois de propor cortes no Censo; como se o sindicato não tivesse se mobilizado e exigido trabalho remoto assim que a epidemia de Covid assolou o país, nem exigido a adoção de protocolos sanitários para a volta ao trabalho presencial apenas onde fosse estritamente necessário.
Como odeia o sindicato, Pochmann ficou possesso ao ver que, na festa dos 90 anos, o sindicato estava presente e distribuía materiais que alertavam para sua desastrosa política tanto de pessoal quanto administrativa. Irritado, ao ser abordado por um membro da Executiva Nacional, vociferou descontroladamente que o sindicato era “bolsonarista”. Parecia o típico movimento de um animal acuado que ataca de forma desesperada. Foi uma cena patética, que, no entanto, explica por que Pochmann foge de qualquer reunião com o sindicato: ele acha que sua gestão está acima de qualquer crítica e não tem controle emocional para enfrentar o contraditório.
Antes de Pochmann, o sindicato enfrentou outros presidentes. Wasmália Bivar ouviu de nós um sonoro “Fora!”, mote de uma greve contra a precarização, e por causa disso cometeu a maldade de mandar embora mais de 170 funcionários temporários, mas, ainda assim, não se furtou a sentar conosco e discutir a saída de uma paralisação que durou 75 dias. Paulo Rabello de Castro, que tentava impor uma lógica privatista e foi duramente criticado por este sindicato, nos chamava de “combativos” e, por isso mesmo, jamais tentou desqualificar a representação sindical. Foram muitos presidentes, mas, ao se recusar a se reunir com o sindicato, nos taxar como inimigos e, pior, nos acusar de ser aquilo que definitivamente não somos, Pochmann se coloca entre os piores deles, a despeito de se considerar e se declarar um grande democrata.
Marcio Pochmann pensa que ele é o próprio IBGE, tanto que toma críticas à sua administração como críticas ao próprio instituto, convocando patéticos rituais de desagravo com o auxílio de uma parte da mídia de esquerda que ignora sua péssima gestão. A verdade é que o maior defensor da tecnicidade, da idoneidade e da confiabilidade dos dados do IBGE é o próprio sindicato. Não atacamos a modernização, mas sim o avanço da precarização e a adoção de expedientes privatistas, como foi o caso da finada Fundação IBGE+. Quando acusa o sindicato de bolsonarismo e se recusa a dialogar, é o presidente quem se coloca no mesmo lugar de autoritarismo e silenciamento típico daqueles que nada têm a ver com a democracia.
A luta continua. A ASSIBGE seguirá na defesa do IBGE e de seus trabalhadores e trabalhadoras. Filie-se!


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