
A ASSIBGE-SN recebeu com preocupação a notícia da substituição simultânea das coordenações da Coordenação de Pesquisas por Amostra de Domicílios (COPAD) e da Coordenação de População e Indicadores Sociais (COPIS), duas das áreas mais estratégicas da Diretoria de Pesquisas do IBGE.
A COPAD é responsável por pesquisas fundamentais para a compreensão da realidade socioeconômica brasileira, entre elas a PNAD Contínua, fonte oficial da taxa de desocupação do país. A COPIS responde pela produção de indicadores sociais e pelas projeções populacionais que orientam políticas públicas, repartição de recursos e planejamento governamental em todo o território nacional.
A substituição simultânea das coordenações não pode ser analisada de forma isolada. Ela se insere em um processo mais amplo de mudanças em cargos de direção e coordenação ocorrido desde o início da atual gestão, frequentemente sem justificativas técnicas apresentadas aos trabalhadores e à sociedade.
A ASSIBGE-SN continua avaliando que essas alterações refletem uma política de substituição de quadros que manifestaram divergências ou preocupações em relação a iniciativas da atual administração. O resultado tem sido o enfraquecimento dos espaços de debate interno, a perda de experiência acumulada e o aumento da insegurança institucional.
Quando tomou posse na Presidência do IBGE, Márcio Pochmann assumiu o compromisso de realizar um Congresso Institucional para discutir, com ampla participação dos servidores e da sociedade, o projeto de “IBGE que o Brasil precisa”. Esse compromisso, assumido inclusive na sede da ASSIBGE-SN, permanece sem cumprimento.
Ao longo dos últimos anos, a gestão promoveu mudanças significativas na estrutura e nas prioridades do Instituto sem que fosse apresentado de forma clara e debatida o projeto institucional que orienta essas transformações. Em vez da construção coletiva prometida, consolidou-se um processo marcado por decisões centralizadas e pouca participação das equipes técnicas.
Ao mesmo tempo, acumulam-se decisões que reforçam a percepção de um processo de transformação institucional conduzido sem os mecanismos adequados de participação, governança e planejamento. Entre elas, destacam-se:
- a aprovação da Resolução do Conselho Diretor n.º 16/2026, de 30 de abril de 2026, que regulamenta o relacionamento do IBGE com fundações de apoio e retoma elementos centrais da concepção institucional que orientou o projeto da Fundação IBGE+, declarada ilegal pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sem que tenha havido amplo debate com os trabalhadores e a sociedade sobre seus impactos para o futuro do Instituto;
- a manutenção da inatividade do Comitê Gestor do Plano de Carreiras e Cargos (CGPCC), instância prevista em lei e fundamental para a discussão das políticas de gestão de pessoas e desenvolvimento na carreira;
- a não instalação do Comitê Interno de Governança (CIG), importante instância de coordenação, acompanhamento e avaliação das diretrizes institucionais; e
- a fragilização dos instrumentos de planejamento estratégico, evidenciada pela ausência de monitoramento sistemático, avaliação periódica e atualização do Plano Estratégico 2022-2025, apesar das profundas transformações promovidas pela atual gestão.
Esse contexto ajuda a explicar as sucessivas crises institucionais que marcaram o período recente. Exonerações de dirigentes e coordenadores, conflitos internos, denúncias de assédio e autoritarismo, controvérsias administrativas, questionamentos sobre prioridades de gestão e o desgaste crescente da relação entre a direção e os servidores passaram a ocupar espaço frequente nos canais de comunicação dos trabalhadores e na imprensa.
A credibilidade do IBGE foi construída ao longo de décadas pela excelência técnica de seus servidores, pela estabilidade institucional e pela confiança pública na independência de suas estatísticas. Por isso, mudanças em áreas responsáveis por indicadores tão sensíveis quanto a taxa de desocupação, os indicadores sociais e as projeções populacionais exigem transparência, justificativas consistentes e amplo diálogo institucional.
A ASSIBGE-SN considera que a sociedade brasileira tem o direito de conhecer os objetivos, prioridades e impactos das transformações em curso no Instituto. Da mesma forma, os trabalhadores do IBGE devem participar efetivamente das discussões sobre o futuro da instituição que ajudaram a construir.
A exoneração simultânea das coordenações responsáveis pela principal pesquisa sobre mercado de trabalho do país e pelas projeções populacionais e indicadores sociais do Brasil reforça uma questão central: o projeto institucional que vem sendo implementado pela atual gestão permanece indefinido para os trabalhadores do IBGE e para a sociedade brasileira. Enquanto mudanças estruturais seguem sendo adotadas, continuam sem resposta questões fundamentais sobre seus objetivos, prioridades, fundamentos técnicos, mecanismos de governança e impactos para o futuro da instituição. A direção do Instituto deve apresentar de forma transparente esse projeto, submetê-lo ao debate público e garantir a participação efetiva dos servidores em sua construção.
A ASSIBGE-SN seguirá acompanhando atentamente os desdobramentos dessas mudanças e defendendo um IBGE público, democrático, transparente, tecnicamente independente e comprometido com sua missão de Estado e com os interesses da sociedade brasileira.


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