
O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Geandro Pinheiro participou da mesa “Estado, soberania e modelo de IBGE que a sociedade contemporânea demanda”, ao lado da economista Clician de Oliveira, diretora da Executiva Nacional da ASSIBGE-SN. Durante o debate, Geandro apresentou uma análise sobre os desafios enfrentados pelas instituições públicas estratégicas diante dos processos contemporâneos de reorganização do Estado. A atividade integrou a programação da tarde da sexta-feira (10) da Reunião da Direção Nacional da ASSIBGE-SN.
Partindo da experiência da Fiocruz e de suas pesquisas sobre Estado, gestão pública e formas contemporâneas de privatização, Geandro estabeleceu um paralelo entre a Fiocruz e o IBGE, defendendo que ambas cumprem funções essenciais para a soberania nacional. Enquanto o IBGE é responsável pela produção das informações oficiais que permitem ao Estado conhecer o território e sua população, a Fiocruz desempenha papel estratégico na produção científica, tecnológica e sanitária voltada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a exposição, o pesquisador argumentou que os conflitos vividos atualmente nas duas instituições não devem ser compreendidos apenas como disputas administrativas ou de gestão, mas como parte de um debate mais amplo sobre o papel do Estado brasileiro. Segundo ele, propostas apresentadas sob os discursos da “modernização”, da “governança” e da “eficiência” frequentemente incorporam mecanismos que fragmentam as instituições públicas por meio de fundações, subsidiárias, contratos de gestão e outras formas de reorganização gerencial.
Ao abordar o caso do IBGE, Geandro relacionou esse debate às iniciativas recentes envolvendo modelos híbridos de governança e à tentativa de implementação da Fundação IBGE+, apontando semelhanças com propostas em discussão na Fiocruz. Para o pesquisador, experiências desse tipo podem representar formas indiretas de privatização, sem que haja necessariamente a venda do patrimônio público, mas por meio da fragmentação institucional e da transferência gradual de funções estratégicas para estruturas paralelas.
Outro ponto destacado foi a importância da democracia institucional como instrumento de proteção da autonomia técnica das instituições públicas. O pesquisador defendeu que a participação dos trabalhadores nos processos decisórios fortalece a capacidade institucional do Estado e preserva a memória e o compromisso público de órgãos estratégicos como a Fiocruz e o IBGE.
Ao encerrar sua exposição, Geandro Pinheiro afirmou que a defesa da soberania sanitária e da soberania informacional passa pelo fortalecimento das instituições públicas, da valorização de seus trabalhadores e do financiamento estatal adequado. Segundo ele, a discussão não deve ser colocada entre modernização e atraso, mas entre projetos que fortalecem o caráter público do Estado e aqueles que promovem sua fragmentação.
A mesa integrou a programação política da Reunião da Direção Nacional da ASSIBGE-SN, realizada entre os dias 9 e 11 de julho, que reuniu representantes dos Núcleos Sindicais de todo o país para debater a conjuntura nacional, construir o calendário de mobilizações da categoria e aprofundar a discussão sobre a defesa do IBGE como instituição pública, democrática e estratégica para o desenvolvimento do país.





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