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RECOMPOSIÇÃO AVANÇA — MAS NÃO REPARA AS PERDAS: A LUTA SEGUE

19 de maio de 2026 • Imprensa

A recomposição dos benefícios dos servidores públicos federais voltou a avançar — e isso não é coincidência. É resultado direto da mobilização, da organização coletiva e da pressão permanente da categoria.

Mas é preciso dizer com todas as letras: o que está sendo conquistado agora ainda não recupera o que foi perdido.

Entre 2016 e 2022, os servidores enfrentaram um dos períodos mais duros da história recente. Foram quase sete anos de congelamento dos benefícios — sem reajuste no auxílio-alimentação e na assistência pré-escolar — enquanto a inflação avançava e corroía os salários.

E não foi só nos benefícios.

No mesmo período, a política salarial aprofundou o arrocho:

  • entre 2013 e 2015, os reajustes somaram cerca de 15,76%;
  • entre 2016 e 2018, caíram para aproximadamente 10,78%;
  • entre 2019 e 2022, o cenário foi ainda mais grave: 0% de reajuste salarial.

Ou seja: a perda é estrutural, acumulada e deliberada.

A partir de 2023, com a reabertura das negociações, houve uma inflexão. Os benefícios voltaram a ser reajustados — com destaque para o auxílio-alimentação, que saiu de R$ 458 para R$ 1.192 em 2026.

Além disso, a recomposição salarial e dos benefícios acumulou cerca de 38,45% até abril de 2026.

É avanço? Sim.
Resolve o problema? Não.

Porque estamos falando de anos de congelamento, perdas inflacionárias e desvalorização do serviço público.

E há um problema ainda mais grave: a desigualdade entre os poderes segue intacta.

Enquanto o Executivo luta para recompor perdas básicas, outros poderes mantêm benefícios muito superiores. Essa distorção não é técnica — é política. E precisa ser enfrentada.

Os limites impostos pela LDO, pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pelo arcabouço fiscal continuam sendo usados como justificativa para travar avanços mais profundos. Mas, na prática, esses limites têm sido seletivos — e penalizam justamente quem está na ponta do serviço público.

A realidade é clara:

  • a recomposição recente só aconteceu porque houve luta;
  • os avanços são parciais;
  • e a desigualdade segue institucionalizada.

Por isso, a tarefa da categoria é evidente:

✔️ seguir pressionando pela recomposição integral das perdas
✔️ avançar na equiparação dos benefícios entre os três poderes
✔️ fortalecer a mobilização em defesa do serviço público

Nada foi dado. Tudo foi conquistado. E só será ampliado com mais luta.
Seguimos.

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