
A recomposição dos benefícios dos servidores públicos federais voltou a avançar — e isso não é coincidência. É resultado direto da mobilização, da organização coletiva e da pressão permanente da categoria.
Mas é preciso dizer com todas as letras: o que está sendo conquistado agora ainda não recupera o que foi perdido.
Entre 2016 e 2022, os servidores enfrentaram um dos períodos mais duros da história recente. Foram quase sete anos de congelamento dos benefícios — sem reajuste no auxílio-alimentação e na assistência pré-escolar — enquanto a inflação avançava e corroía os salários.
E não foi só nos benefícios.
No mesmo período, a política salarial aprofundou o arrocho:
- entre 2013 e 2015, os reajustes somaram cerca de 15,76%;
- entre 2016 e 2018, caíram para aproximadamente 10,78%;
- entre 2019 e 2022, o cenário foi ainda mais grave: 0% de reajuste salarial.
Ou seja: a perda é estrutural, acumulada e deliberada.
A partir de 2023, com a reabertura das negociações, houve uma inflexão. Os benefícios voltaram a ser reajustados — com destaque para o auxílio-alimentação, que saiu de R$ 458 para R$ 1.192 em 2026.
Além disso, a recomposição salarial e dos benefícios acumulou cerca de 38,45% até abril de 2026.
É avanço? Sim.
Resolve o problema? Não.
Porque estamos falando de anos de congelamento, perdas inflacionárias e desvalorização do serviço público.
E há um problema ainda mais grave: a desigualdade entre os poderes segue intacta.
Enquanto o Executivo luta para recompor perdas básicas, outros poderes mantêm benefícios muito superiores. Essa distorção não é técnica — é política. E precisa ser enfrentada.
Os limites impostos pela LDO, pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pelo arcabouço fiscal continuam sendo usados como justificativa para travar avanços mais profundos. Mas, na prática, esses limites têm sido seletivos — e penalizam justamente quem está na ponta do serviço público.
A realidade é clara:
- a recomposição recente só aconteceu porque houve luta;
- os avanços são parciais;
- e a desigualdade segue institucionalizada.
Por isso, a tarefa da categoria é evidente:
✔️ seguir pressionando pela recomposição integral das perdas
✔️ avançar na equiparação dos benefícios entre os três poderes
✔️ fortalecer a mobilização em defesa do serviço público
Nada foi dado. Tudo foi conquistado. E só será ampliado com mais luta.
Seguimos.


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