
O clima organizacional no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta um momento de forte tensão. A ASSIBGE-SN (Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE) formalizou uma moção de repúdio sobre a postura da Diretoria de Geociências do IBGE em relação à comunicação entre os servidores.
O sindicato denuncia práticas de assédio institucional, engessamento burocrático e cerceamento da liberdade de comunicação entre as equipes técnicas. O documento de denúncia foi encaminhado diretamente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e à Casa Civil da Presidência da República.
Os pontos centrais da denúncia
De acordo com a representação sindical, as recentes determinações da Diretoria de Geociências impõem um “retrocesso democrático” que inviabiliza o fluxo técnico e o dia a dia da instituição. Os servidores destacam três pontos críticos:
• Isolamento de setores: A gestão estabeleceu que qualquer comunicação com outras diretorias ou coordenações-gerais deve passar obrigatoriamente pelo gabinete da própria Diretoria de Geociências, centralizando e travando o fluxo de informações.
• Abuso de hierarquia: O sindicato alega que a estrutura vertical (“servidor fala com gerente; gerente com coordenador”) está sendo usada como uma “mordaça” para silenciar debates técnicos e colaborações intersetoriais.
• Cultura do medo: A menção a “faltas disciplinares” e punições para servidores que divergem tecnicamente ou se comunicam fora da cadeia rígida de comando foi classificada como coação psicológica.
Contradição com as políticas do Governo Federal
A ASSIBGE aponta que a postura da diretoria local colide frontalmente com as diretrizes de direitos humanos e relações de trabalho da atual administração federal.
“A declaração divulgada pela Diretoria de Geociências vai contra toda a política de direitos humanos e relações de trabalho promovida pelo governo federal atual. Não podemos permitir que se instaure uma ditadura institucional”, afirma o sindicato em trecho do documento.
O comunicado oficial da diretoria estaria infringindo o Programa de Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual e à Discriminação na Administração Pública Federal, gerido pelo próprio MGI com diretrizes da Controladoria-Geral da União (CGU).
Reivindicações e próximos passos
Diante da gravidade do cenário, a ASSIBGE-SN solicitou a intervenção imediata do MGI e da Casa Civil para que tomem as seguintes medidas:
- Anulação completa das diretrizes de comunicação consideradas restritivas e punitivas pela Diretoria de Geociências.
- Mediação imediata por meio da Mesa Setorial de Negociação para avaliar o clima de trabalho e as práticas de gestão no setor.
- Investigação formal da conduta da diretoria pelos comitês de corregedoria encarregados de combater o assédio no serviço público.
O sindicato também pediu o apoio e a solidariedade do Fonasefe (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais) para nacionalizar a denúncia.


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